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Ação social marca a passagem de Maurício Paes à capital cearense

Os termômetros marcavam cerca de 30 graus na manhã desta sexta-feira, 25, em Fortaleza. Era meu terceiro dia acompanhando parte do cast da Som Livre na 9a edição da Expoevangélica. Minha missão era aproveitar as brechas nas agendas para arriscar alguma atividade ligada a mídia para os cantores.
Depois de me despedir de André Valadão, que após ministrar em uma das principais igrejas da região embarcava para o Maranhão, segui rumo ao hotel onde o cantor Maurício Paes estava hospedado. No nordeste, Maurício é um dos principais nomes da música cristã e está em plena temporada de lançamento de seu primeiro DVD solo, após ter saído do ministério Toque no Altar., onde fez carreira junto a nomes como Luis Arcanjo e Davi Sacer.
'Nem precisa se preocupar com mídia, meu amigo. Agendei com um programa muito respeitado na tevê aberta local', disparou o carioca assim que me viu no saguão do hotel, onde esperava aflito tentando um contato com os produtores de uma emissora cearense. 'Coisa boa, Maurício. Quem?', questionei desligando o celular.
Alguns minutos depois o carro da TV Diário estacionava no portão. À bordo, a apresentadora do Paz e Amor, Suzy Valério e sua equipe, nos recebia com um sorriso largo e cheia de histórias para contar dos 8 anos de produção do bem sucedido programa de auditório que mescla matérias que abordam questões sociais e entretenimento sempre pautados no amor de Deus, apesar de não carregar bandeira denominacional, como Suzy fazia questão de frisar.
Quando perguntei o nosso destino, certo de que seria uma entrevista musical em algum ponto turístico da cidade, fui surpreendido com a locação que estava agendada. Jangurussu. Trata-se de uma comunidade muito pobre, que há pouco tempo abrigava o lixão de Fortaleza. Só aí entendi que Maurício faria um quadro muito especial do programa chamado “Voluntário por um dia”, onde o artista une forças com uma ONG e participa de uma ação social.
Ao entrar na comunidade o Pr. Lázaro, que é responsável pelo projeto Frathernus, nos recebeu dando instruções básicas de como deveríamos nos portar lá dentro. É que devida a criminalidade, temos de lidar da maneira mais tranquila para que o contato com os moradores seja leve e sem preconceitos. De repente já estávamos carregando caixas de suco e distribuído entre as dezenas de crianças que automaticamente formaram uma fila em nossa direção. Ação que é parte natural do cotidiano do Pr. da ONG que atende 750 famílias de Jangurussu.
Entre tentativas frustradas de garantir o melhor click da ação, sentei na calçada para recobrar fôlego, quando fui surpreendido pelo pequeno Gabriel, de 5 anos, que tirou os meus óculos e pôs no rosto dele dizendo: “Agora sou inteligente e vou trabalhar na televisão”, antes de responder 'Amém', entre risos, ele me perguntou meu nome e se surpreendeu que tinha o mesmo nome do pai dele. “Ué, mas meu pai já se chama assim?”. Só depois que expliquei pra ele que as pessoas podem ter nomes repetidos é que descobri que o menino frequentava um galpão que seve de escola para comunidade oferecendo diferentes séries escolares ao mesmo tempo e que, pela dificuldade com a educação, ele não sabia ainda escrever nem o nome dele, nem o meu.
Suzy me convocou para ver dentro da casa mais humilde da rua, a gravação que Maurício fazia com a equipe dela e a família que mora lá. Ele fazia a oração da família, marca definitiva de seu ministério, e contava para a câmera a história de superação desses moradores que tiveram sua casa incendiada por duas vezes e recomeçaram tudo do zero.
Todos visivelmente emocionados oramos por eles e registramos cada minuto dessa visita que marcou de maneira definitiva a nossa passagem por Fortaleza. “É muito bom perceber que, mesmo em meio à tantas dificuldades, Jesus continua sendo o refrigério da maioria dessas pessoas. Momentos como este fazem a gente aumentar ainda mais a nossa gratidão por tudo que O Senhor fez e fará por todo o seu povo”. Desabafa, Maurício com lágrimas nos olhos.
Aproveitei o tempo de gravação da equipe para entrevistar alguns moradores e a Dona Valdir, de 60 anos foi a primeira que me convidou para um papo. “Seis gerações da minha família passaram por aqui. É a primeira vez que vejo um artista desses, que aparece na TV, vindo até a comunidade. Enche a gente de gosto, né não?”, me devolvia a pergunta com a neta Vitória de 11 anos na barra da saia. “Essa menina, com estudo iria longe, mas pra Deus nada é impossível, Né não?” insistia a senhora diante da minha perplexidade que me atrapalhavam as palavras.
Depois de algumas horas por lá, crianças e adultos carregando suas doações e muitos sorrisos, enquanto Maurício Paes cantava à capela: “A minha família, debaixo da graça...”. O programa Paz e Amor, da Suzy, vai ao ar na próxima segunda-feira e vai exibir essa nossa visita à Jangurussu, mas em nós vai ficar marcado pra sempre a vontade e a força desse povo que o tempo esqueceu, mas que O Senhor tem cuidado de maneira sobrenatural à margem da bela capital do Ceará.
Texto: Márcio Moreira

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