Notícias News

Crucificação foi resposta a boicote de evangélicos, diz transexual

Com poucos dias de diferença, o Brasil testemunhou dois desfiles civis nas ruas da maior cidade do país. São Paulo recebeu dia 4 de maio a Marcha para Jesus e dia 7 a Parada Gay. Ambas reuniram milhares de pessoas, tinham vários caminhões de som, apresentações musicais e centenas de faixas e cartazes divulgando o motivo do encontro.
O que talvez sirva para diferenciar ambas é a postura dos organizadores. Se um evangélico carrega uma faixa ou usa o microfone para falar algo contra a homossexualidade logo é tachado pela mídia de “homofóbico” e acusado de “discurso de ódio”.
Contudo, na 19ª edição da Parada Gay, a exemplo do que ocorreu em outros anos, algumas cenas chamam atenção de quem olha as imagens do evento, mas passam convenientemente despercebida pela grande mídia.
Um dos trios elétricos trouxe um transexual seminu crucificado. Numa representação profana da crucificação de Cristo, a placa sobre a cabeça da “modelo”, dizia: “Basta de homofobia com LGBT”. A pessoa que foi crucificada atende pelo nome social de Viviany Beleboni.
Ela tem conseguido atenção nacional e confirma em uma entrevista dada antes da Parada que sua intenção era “representar todas as pessoas LGBT, que morreram e sofreram humilhação, preconceito e agressões”. Sua analogia é que os homossexuais também são crucificados pela sociedade por causa de suas escolhas.
Para ela, a comparação com Jesus tem a ver com o fato de ele ter sido rejeitado pela sociedade, como hoje acontece com a população LGBT. Questionado sobre a repercussão que teria essa provocação, foi direta: “Tenho certeza que as [criticas] negativas virão de religiosos, que vão achar uma ofensa uma transexual estar representando Jesus Cristo, só que além de tudo, eu sou um ser humano, independente de eu ser transexual, ser gay, da minha orientação sexual, eu sou filha de Deus e Ele morreu por TODOS, inclusive por mim, por isso eu tenho esse direito, assim como um evangélico tem o direito de protestar dessa forma ou qualquer outro religioso poderia protestar caso sofresse algum tipo de preconceito. Como eles não sofrem… Eu, pelo meio LGBT, resolvi fazer assim”.
Entre as justificativas para usar a imagem de Jesus, além de mencionar as estatísticas de homossexuais assassinados, ressalta que foi uma espécie de resposta a campanha dos evangélicos contra a perfumaria O Boticário.
“A religião, principalmente a evangélica, está fazendo muita coisa contra a felicidade da gente, como o caso da Boticário, criando grupos para “descurtir” o vídeo da propaganda. Eles não estão querendo aceitar o que realmente existe. Então me veio essa ideia de ir dessa forma religiosa, tipo Madonna…  Sei que irei chocar um pouco, mas o povo brasileiro só dá atenção dessa maneira”, assevera.
Nas redes sociais as reações a imagem são bastante diversificadas e acabaram envolvendo o antigo dilema de até onde vai a “liberdade expressão”. Para o deputado Marco Feliciano (PSC/SP), a imagem é uma “blasfêmia”. O senador Magno Malta (PR-ES) afirma que a questão é maior, pois o desrespeito às crenças religiosas foi feito com o uso de dinheiro público. Ambos os políticos questionaram o patrocínio das estatais, da prefeitura de São Paulo e do Governo Federal à Parada Gay.

Nenhum comentário