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IPEA divulga pesquisa errada sobre estupro e diretor pede demissão

A suspeita de que a pesquisa sobre violência contra mulher que o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) divulgou no início da semana estava errada foi confirmada hoje pelo próprio instituto, que admitiu ter oferecido dados equivocados à imprensa.
A pesquisa errada indicava que 65,1% dos entrevistados concordavam que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Na verdade, conforme admitiu hoje o IPEA, é precisamente o contrário.
Em vez de 65% dos entrevistados concordarem com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, o número é 26%. Setenta por cento não concordam e 3,4% não manifestaram opinião.
O diretor de Estudos e Políticas Sociais, Rafael Guerreiro Osorio, pediu demissão do cargo assim que o erro foi detectado. Ele ingressou no órgão como estagiário, em 1999.
Gráfico IPEA
Gráfico com os dados corretos.

Jornalistas e especialistas já suspeitavam da pesquisa

Ao longo da semana, alguns jornalistas e blogueiros passaram a levantar dúvidas sobre os resultados da pesquisa do IPEA. Apesar da mobilização notável nas redes sociais, eles colocaram em dúvida os números e a metodologia utilizada pelo instituto.
Colunista da VEJA, Felipe Moura Brasil apresentou várias hipóteses para a apresentação de uma pesquisa comportamental, feita por um instituto de pesquisa econômica.
Uma delas é a de que o IPEA, presidido pelo petista histórico Márcio Porchman, tentava criar um “buzz” (estardalhaço) sobre a violência contra a mulher para tirar o foco da mídia de temas inconvenientes para o governo Dilma, como a CPI da Petrobras.
“O IPEA, para quem não sabe, é aquele órgão governamental que “expurgou” em novembro de 2007 quatro pesquisadores independentes (Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Régis Bonelli). Eliminou toda a divergência quando Márcio Pochmann chegou ao comando. Ele defende a ‘democratização’ do setor de comunicação no Brasil, flertando com a criação do Conselho Federal de Jornalismo. O próprio instituto que presidiu até 2012, quando se tornou – imagine – candidato do PT para a prefeitura de Campinas”
Douglas Henrique Marin dos Santos, Procurador Federal da Advocacia Geral da União (AGU), Mestrando em Direito pela Universidade do Porto (Portugal) e Doutorando em Ciências pela Unifesp, também havia criticado a metodologia do IPEA nesta e noutras pesquisas e a falta de validação de questionários (questionnaire validation).
“A afirmação mais controversa do estudo assim se apresenta: ‘Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros’. Reparem que é natural que as assertivas que estabeleçam causa e efeito sejam, em um primeiro momento e instintivamente, respondidas positivamente. Veja o seguinte exemplo: ‘Se o Palmeiras tivesse um ataque mais organizado teria ganho o campeonato’ tende a ser respondido com uma concordância ou com uma concordância parcial, porque simplesmente aparenta ser uma afirmação bastante verdadeira.”

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